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Suas denúncias sistemáticas contra o general Oscar, o relato dos mortos e feridos em contracorrente com as notas oficiais, faziam com que não apenas suas reportagens fossem censuradas pelo exército, mas ainda que o próprio autor se visse diante de inúmeras dificuldades para cumprir sua missão. Na realidade, a razão pela qual Benício não permaneceu no local senão um pouco mais de um mês é o fato de que sua própria vida estava em perigo. Horcades revelou que se Benício não tivesse deixado Canudos três horas antes da hora que havia anunciado, um assassino de aluguel engajado para esse fim o teria violentamente molestado e «talvez transformado em nada (em nada) pelas mentiras que havia enviado em suas correspondências ao Jornal de Commércio». Aliás, o jornal julgou prudente não publicar suas reportagens antes de 3 de agosto de 1897, isto é, no dia seguinte à partida de Benício e no mesmo dia em que Bittencourt embarcava para a Bahia, quando o jornal estava de posse dessas correspondências bem antes desse dia, até um mês antes. Chegado a Salvador, no caminho de volta, Benício temeu que suas reportagens não fossem acreditadas e que seriam refutadas pelos jornais republicanos; além disso, podia-se esperar que o envio iminente de reforços (5 000 homens), sob a supervisão de Bittencourt, não pusesse breve fim ao conflito, e que então todas as provas que tivera de atravessar como repórter e suas incriminações do alto comando cairiam rapidamente no esquecimento. Daí sem dúvida que Benício concebeu o projeto de escrever O Rei dos jagunços, como uma «obra vingativa».
Fontes: pt.wikipedia.org
Quando o Jornal de Comércio se pôs, através das reportagens de Benício, a contestar o ponto de vista de Oscar, nomeadamente sobre a ajuda que os conselheiristas supostamente receberiam do exterior de seu reduto, o Clube Militar votou por unanimidade a adoção de uma reprimenda contra o jornal e riscou Benício de seus quadros. É verdade que no momento em que saiu sua crônica romanceada, em 1899, o clima se tornara muito mais propício à publicação de escritos críticos sobre a guerra de Canudos. Na sequência da tentativa de assassinato de Prudente de Morais em 5 de novembro de 1897, e após inquérito, que estabeleceu a responsabilidade de altas patentes do exército e do Clube Militar, este será fechado e Benício assim parcialmente vingado. Benício, a despeito das esperanças que havia depositado nos artigos de Da Cunha, não contava esperar o grande livro deste último para ser vingado totalmente das humilhações e sofrimentos experimentados em Canudos, e fez, portanto, publicar ele mesmo uma versão romanceada da guerra, O Rei dos jagunços. Publicado em 1899, nas prensas do Jornal do Comércio, o livro caiu depois no esquecimento e só foi reeditado em 1997, por ocasião do centenário da guerra de Canudos. A questão de saber como catalogar essa obra não é fácil de resolver; se o próprio autor chama seu livro de «crônica histórica», então é uma na qual se insinuaram dois gêneros diferentes, o documentário e o comentário. A obra pretende «a maior precisão histórica», e o subtítulo deixa entrever um objetivo de autenticidade e veracidade documentais.
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A estrutura do livro e o título dos capítulos estão aí também para sinalizar um relato objetivo. O «tom romanesco», precisou o autor, só aparece na obra para «suavizar a aspereza do assunto e o aborrecimento de descrições fastidiosas feitas por alguém que não tem estilo». A primeira parte, concebida segundo um plano sistemático, relata os antecedentes familiares de Maciel e descreve as tradições religiosas populares do sertão. É apenas no terceiro capítulo que se percebe que uma ficção se inicia, sem transição, que no curso ulterior do livro alternará com as passagens documentais e atravessará todo o restante do livro; por outras palavras, numa medida considerável, a parte documental se duplica de uma ficção literária. A segunda parte se desenvolve cronologicamente e retrata o desenrolar da guerra da primeira à quarta expedição. A exposição histórica e a trama romanesca alternam então de maneira mais desconexa. O autor intervém inopinadamente aqui e ali na primeira pessoa como comentador ou narrador. O enredo da componente ficcional é semelhante ao do romance de Afonso Arinos. Uma trama amorosa, menos trágica que em Os Jagunços, dá lugar a pequenos quadros eróticos e a cenas da vida cotidiana, no meio de passagens documentais e de descrições objetivas. Publicado três anos antes de Os Sertões, o livro de Benício perseguia a mesma ideia de base, a saber interpretar Canudos como um fenômeno representativo do sertão e apresentar a guerra como algo mais que um simples evento nacional: como um evento de alcance nacional.
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O autor supôs que a forma literária era a mais apta a servir esse desígnio; anunciado como um documento, o texto foi, contudo, lido como literatura e julgado como tal. A crítica não vendo aí senão um amontoado de anedotas melosas, o livro não tardou a cair no esquecimento, a despeito da reputação, certamente bastante controvertida, que Benício adquirira enquanto jornalista por suas reportagens agudas e críticas sobre a guerra de Canudos para o Jornal do Commércio e por seu afastamento forçado do lugar das operações militares, e a despeito do fato, como se pode supor, de que uma boa parte da intelectualidade da época leu o livro. Bartelt nota, contudo, que não mais que Afonso Arinos, Benício não conseguiu dar forma de maneira convincente ao trágico dos eventos, ao seu alcance social e ao potencial que encerravam para o futuro da nação brasileira. Nas passagens documentais, Canudos oferece uma surpreendente diversidade étnica e social, em espera de integração nacional. As personagens são moldadas segundo tipos sociorraciais, sem, contudo, desembocar no racismo biológico, ordinário para a época, com a ideia concomitante da degenerescência dos mestiços. Como em Os Jagunços, mas mais sistemática e radicalmente, Canudos encarna o sertão como subespaço nacional. Ao contrário do romance de Afonso Arinos, Canudos representa aqui, longe dos atavios românticos, a normalidade enraizada do sertão.
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A pesquisa sobre Peptídeo apoia-se sobretudo em estudos de laboratório e modelos animais; dados clínicos variam conforme a substância.
Pureza e análise (HPLC, espectrometria de massa), reconstituição correta e armazenamento adequado são decisivos.%!(EXTRA string=Peptídeo)
Nem todos os mecanismos estão demonstrados e um estudo isolado não é evidência global. As questões abertas são sinalizadas.%!(EXTRA string=Peptídeo)